A realização dos exames adequados, no momento correto e de acordo com o perfil de risco de cada paciente, aumenta significativamente as chances de diagnóstico precoce e de tratamentos mais eficazes.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres em todo o mundo. Embora nem todos os casos possam ser evitados, a combinação entre acompanhamento médico especializado, hábitos saudáveis e rastreamento adequado permite detectar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas, favorecendo melhores resultados e maiores taxas de cura.
O que é o rastreamento do câncer de mama?
O rastreamento consiste na realização de exames em mulheres sem sintomas, com o objetivo de identificar tumores em estágios iniciais.
Muitas lesões mamárias não provocam dor, nódulos palpáveis ou qualquer alteração perceptível em suas fases iniciais. Por isso, o rastreamento desempenha papel central na detecção precoce da doença.
Atualmente, a mamografia é considerada o principal exame para rastreamento populacional do câncer de mama e o único método que demonstrou reduzir a mortalidade pela doença em estudos de longo prazo.
Quando iniciar o rastreamento?
As recomendações podem variar de acordo com o perfil de risco da paciente.
Para mulheres de risco habitual, as principais sociedades médicas brasileiras, incluindo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a FEBRASGO, recomendam a realização de mamografia anual a partir dos 40 anos de idade.
A partir dessa faixa etária, ocorre um aumento da incidência da doença, tornando o rastreamento ainda mais importante para o diagnóstico precoce.
Já para mulheres com fatores de risco elevados, o acompanhamento pode começar mais cedo e incluir exames complementares, conforme avaliação individualizada.
Quais exames podem fazer parte do rastreamento?
O rastreamento do câncer de mama não se baseia em um único exame. A escolha dos métodos de imagem mais adequados depende do perfil de risco da paciente e dos achados clínicos, permitindo uma avaliação mais completa e personalizada. Entre os principais exames utilizados estão:
Mamografia
A mamografia é o principal exame utilizado para detectar alterações mamárias precoces, incluindo lesões ainda não palpáveis.
Sua capacidade de identificar microcalcificações e pequenos tumores contribui para o diagnóstico em fases iniciais da doença.
Tomossíntese mamária
Também conhecida como mamografia tridimensional, a tomossíntese é uma evolução da mamografia digital.
Quando disponível, pode aumentar a taxa de detecção de lesões e reduzir a necessidade de execução de exames adicionais.
Ultrassonografia mamária
A ultrassonografia não substitui a mamografia no rastreamento populacional, mas pode ser utilizada como método complementar, especialmente em mulheres com mamas densas ou em situações específicas definidas pelo médico.
Ressonância magnética das mamas
A ressonância magnética apresenta elevada sensibilidade para identificação de alterações mamárias e costuma ser indicada principalmente para pacientes com risco elevado para câncer de mama.
O que significa ter mamas densas?
A densidade mamária refere-se à proporção de tecido fibroglandular presente na mama.
Mulheres com mamas densas podem apresentar maior dificuldade na detecção de lesões pela mamografia, uma vez que tanto o tecido mamário quanto alguns tumores possuem aparência semelhante no exame.
Nessas situações, o mastologista pode indicar exames complementares para aumentar a precisão da avaliação.
Como funciona o sistema BI-RADS?
Após a realização da mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética das mamas, os resultados costumam ser classificados pelo sistema BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System).
Essa classificação padroniza a interpretação dos achados e auxilia na definição da conduta médica.
De forma simplificada:
- BI-RADS 1 e 2 indicam achados normais ou benignos;
- BI-RADS 3 geralmente sugere acompanhamento periódico;
- BI-RADS 4 e 5 indicam alterações suspeitas que podem necessitar de biópsia para diagnóstico definitivo.
A interpretação dos resultados deve sempre ser realizada em conjunto com a avaliação clínica do mastologista.
O rastreamento é diferente para pacientes de alto risco?
Sim. Pacientes com mutações genéticas hereditárias, histórico familiar significativo, antecedentes pessoais de determinadas lesões mamárias ou exposição prévia à radioterapia podem necessitar de protocolos diferenciados.
Nesses casos, o rastreamento costuma ser mais intensivo e pode incluir a associação de mamografia, ressonância magnética e ultrassonografia, conforme as recomendações do Ministério da Saúde e das sociedades médicas especializadas.
A definição da estratégia ideal depende de uma avaliação individualizada, considerando os fatores de risco e as características de cada paciente.
Veja mais sobre o rastreamento do câncer de mama em pacientes de alto risco (link para o texto de alto risco).
Como prevenir o câncer de mama?
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas estão associadas à redução do risco da doença.
Entre elas estão:
- Manter peso corporal adequado;
- Praticar atividade física regularmente;
- Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Evitar o tabagismo;
- Manter alimentação equilibrada;
- Realizar acompanhamento médico periódico;
- Seguir corretamente as orientações de rastreamento.
Além disso, mulheres com histórico familiar importante ou fatores genéticos podem se beneficiar de estratégias específicas de prevenção e acompanhamento.
Dr. Bruno Salvador: especialista em rastreamento e prevenção do câncer de mama
O Dr. Bruno Salvador é médico mastologista com atuação voltada à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento das doenças da mama. Sua prática inclui a avaliação individualizada dos fatores de risco, definição de protocolos de rastreamento e acompanhamento de pacientes com risco habitual ou elevado para câncer de mama.
Graduado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), realizou Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela UNICAMP e Residência em Mastologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Possui Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO e Título de Especialista em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Atualmente é Médico Assistente do Setor de Mastologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), além de Fellow em Oncoplastia e Reconstrução Mamária, Doutorando pela Faculdade de Medicina da USP e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia.
Seu trabalho combina atualização científica constante, medicina baseada em evidências e atendimento individualizado, auxiliando cada paciente na definição das melhores estratégias de prevenção, rastreamento e cuidado com a saúde das mamas!

