Dr. Bruno SalvadorMastologista

Reconstrução mamária e cirurgia reparadora

A reconstrução mamária, ou cirurgia reparadora, é um procedimento realizado para restaurar a forma, o volume e a simetria das mamas após o tratamento do câncer de mama.

Reconstrução mamária e cirurgia reparadora · Dr. Bruno Salvador, Mastologista em São Paulo

Mais do que uma questão estética, a reconstrução faz parte do tratamento oncológico moderno, contribuindo para a qualidade de vida, autoestima e bem-estar físico e emocional da paciente.

Receber o diagnóstico de câncer de mama costuma trazer dúvidas não apenas sobre a cura da doença, mas também sobre como será a aparência das mamas após o tratamento. Felizmente, os avanços da Mastologia permitem que muitas mulheres realizem a reconstrução mamária de forma segura, respeitando o tratamento oncológico e preservando sua qualidade de vida.

A decisão sobre a reconstrução deve ser individualizada e planejada em conjunto com a paciente, considerando as características do tumor, os tratamentos necessários e os objetivos de cada mulher.

O que é a reconstrução mamária?

A reconstrução mamária é um conjunto de técnicas cirúrgicas utilizadas para reconstruir total ou parcialmente a mama após a retirada de tecido mamário em decorrência do câncer.

Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a reconstrução não deve ser vista apenas como uma cirurgia estética, mas como parte integrante do tratamento do câncer de mama.

Estudos demonstram que mulheres submetidas à reconstrução mamária frequentemente apresentam melhora da autoestima, da imagem corporal, da vida social e da qualidade de vida após o tratamento.

A maioria das mulheres submetidas ao tratamento cirúrgico do câncer de mama pode ser candidata à reconstrução, que pode ser considerada em situações como:

  • Cirurgia conservadora da mama;
  • Mastectomia parcial;
  • Mastectomia total;
  • Mastectomia bilateral;
  • Cirurgias preventivas em pacientes de alto risco genético.

Além da reconstrução da mama operada, também pode ser indicada a simetrização da mama contralateral para melhorar a harmonia estética dos resultados.

Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo mastologista, considerando fatores como extensão da cirurgia, necessidade de radioterapia, condições clínicas e preferências da paciente.

Reconstrução imediata ou tardia: qual a diferença?

Receber a indicação de uma cirurgia na mama costuma trazer muitas dúvidas e inseguranças. É natural que a paciente deseje reconstruí-la o quanto antes, mas essa decisão deve ser tomada com tranquilidade, considerando não apenas o aspecto estético, mas também as características do câncer, os tratamentos complementares previstos e as condições clínicas de cada mulher.

Reconstrução imediata

É realizada no mesmo ato cirúrgico da retirada do tumor ou da mastectomia.

Sempre que possível, essa costuma ser a opção preferencial, pois evita que a paciente vivencie o período sem a mama e reduz o número de procedimentos cirúrgicos.

Reconstrução tardia

É realizada meses ou anos após o tratamento inicial.

Pode ser indicada quando:

  • Há necessidade de tratamentos complementares mais complexos;
  • Existem condições clínicas que contraindicam uma cirurgia mais longa;
  • A paciente prefere adiar a reconstrução.

O mais importante é que a reconstrução nunca comprometa a segurança oncológica nem atrase tratamentos essenciais para o controle da doença.

Quais são as principais técnicas de reconstrução mamária?

A reconstrução mamária não é uma cirurgia única. Existem diferentes técnicas que podem ser utilizadas de forma isolada ou combinadas, dependendo das características da paciente, do tipo de câncer, da quantidade de tecido removido, da necessidade de radioterapia e dos objetivos estéticos.

A escolha da melhor abordagem é feita de forma individualizada pelo mastologista, sempre priorizando a segurança oncológica e a qualidade dos resultados.

Reconstrução com implantes de silicone

A reconstrução com prótese de silicone é uma das técnicas mais utilizadas atualmente.

Ela costuma ser indicada quando existe quantidade adequada de pele e tecidos para acomodar o implante após a cirurgia oncológica.

Em muitos casos, a prótese pode ser colocada no mesmo procedimento da mastectomia, permitindo que a paciente acorde da cirurgia já com a mama reconstruída.

As próteses modernas estão disponíveis em diferentes formatos e volumes, possibilitando resultados cada vez mais naturais.

A indicação depende de fatores como:

  • Tamanho das mamas;
  • Quantidade de pele preservada;
  • Necessidade de radioterapia;
  • Presença de comorbidades;
  • Expectativas da paciente em relação ao resultado.

Reconstrução com expansor mamário

Quando não existe pele suficiente para acomodar imediatamente uma prótese definitiva, pode ser utilizado um expansor.

O expansor é um dispositivo temporário colocado sob a pele e preenchido gradualmente ao longo dos meses seguintes à cirurgia.

Esse processo permite que a pele se adapte progressivamente até atingir o volume desejado.

Após essa etapa, é realizada uma nova cirurgia para substituição do expansor pela prótese definitiva.

Embora exija mais de uma etapa cirúrgica, essa técnica pode ser uma excelente alternativa para pacientes selecionadas.

Reconstrução com tecidos da própria paciente

Em algumas situações, principalmente quando há pouca pele disponível ou histórico de radioterapia, a reconstrução pode ser realizada utilizando tecidos da própria paciente.

Nesses casos, pele e gordura são transferidas de outras regiões do corpo para formar uma nova mama.

As áreas mais frequentemente utilizadas incluem:

  • Abdômen;
  • Costas;
  • Região lombar;
  • Coxas, em situações específicas.

Uma das vantagens dessa técnica é a criação de uma mama com aparência e consistência mais naturais, sem necessidade de implantes em alguns casos.

Por outro lado, trata-se de uma cirurgia mais complexa, com tempo cirúrgico e recuperação maiores.

Cirurgia oncoplástica após tratamento conservador

Nem toda reconstrução acontece após uma mastectomia.

Atualmente, muitas pacientes podem ser tratadas por meio da cirurgia conservadora da mama, em que apenas o tumor e uma margem de segurança são removidos.

Nessas situações, técnicas de oncoplastia permitem remodelar a mama durante a própria cirurgia, reduzindo deformidades e preservando a estética mamária.

Dependendo do volume retirado, também pode ser indicada a simetrização da mama oposta para manter o equilíbrio entre as mamas.

Essa abordagem representa um dos maiores avanços da Mastologia moderna, pois associa tratamento oncológico eficaz e preservação da imagem corporal.

Como é a recuperação após a reconstrução mamária?

O pós-operatório varia conforme a técnica utilizada, a extensão da cirurgia e as condições individuais da paciente.

De modo geral, os primeiros dias costumam exigir repouso relativo, controle da dor e cuidados com os curativos.

Em algumas pacientes, pode ser necessária a utilização temporária de drenos para evitar o acúmulo de líquidos na região operada.

Durante a recuperação, é comum ocorrer:

  • Inchaço nas mamas;
  • Sensação de tensão local;
  • Alterações temporárias da sensibilidade;
  • Limitação transitória dos movimentos dos braços.

A maioria das pacientes consegue retomar atividades leves entre duas e quatro semanas após a cirurgia, embora esforços físicos mais intensos normalmente exijam liberação médica.

Quais cuidados são importantes após a cirurgia?

O acompanhamento pós-operatório é tão importante quanto a própria cirurgia.

Durante esse período, o mastologista avalia a cicatrização, acompanha a adaptação dos tecidos reconstruídos e monitora possíveis complicações.

Além disso, podem ser realizadas orientações relacionadas a:

  • Retorno às atividades físicas;
  • Uso de sutiãs cirúrgicos;
  • Cuidados com cicatrizes;
  • Controle do inchaço;
  • Prevenção de linfedema;
  • Retomada das atividades profissionais.

Mesmo após a reconstrução, o seguimento oncológico continua sendo fundamental para monitorar a saúde da paciente e identificar precocemente qualquer alteração que necessite de avaliação.

A reconstrução interfere no tratamento do câncer?

Não. Quando adequadamente planejada, a reconstrução mamária não reduz as chances de cura nem interfere nos resultados oncológicos.

O planejamento integrado entre mastologista, oncologista clínico, radio-oncologista e demais profissionais envolvidos permite oferecer tratamentos seguros, respeitando tanto os objetivos de controle da doença quanto os aspectos funcionais e estéticos.

Dr. Bruno Salvador: especialista em reconstrução mamária e cirurgia reparadora

O Dr. Bruno Salvador é mastologista especializado no diagnóstico e tratamento cirúrgico das doenças da mama, com atuação focada no câncer de mama, cirurgia oncológica mamária, oncoplastia e reconstrução mamária.

Graduado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), realizou residência em Ginecologia e Obstetrícia na própria instituição e posteriormente especializou-se em Mastologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Atualmente é Médico Assistente do Setor de Mastologia do Hospital das Clínicas da USP, com atuação no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), um dos principais centros de referência em oncologia do país.

Possui Fellowship em Oncoplastia e Reconstrução Mamária, é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia e Doutorando pela Faculdade de Medicina da USP.

Sua atuação é baseada em planejamento cirúrgico individualizado, cirurgias conservadoras com técnicas oncoplásticas e reconstruções mamárias que buscam associar segurança oncológica, funcionalidade e resultado estético.

Todo o tratamento é conduzido de forma integrada com oncologistas, radio-oncologistas e demais profissionais envolvidos, oferecendo um cuidado completo, humanizado e alinhado às necessidades de cada paciente.

Cuidar da sua saúde é uma decisão de confiança